Esse final de ano tive a oportunidade de conhecer o distrito de Conceição do Ibitipoca, em Minas Gerais, um lugar com cachoeiras com águas cor de ouro, Coca Cola ou fogo, como preferir. E que experiência linda foi essa viagem!

Já conheci lugares cheios de natureza, mas a vibe de Ibitipoca é algo que me cativou de verdade – é daqueles lugares que atraem pessoas bacanas, cheias de uma energia muito legal, de onde você volta se sentindo realmente recarregado, querendo viver das coisas que a natureza dá, sabe?

Se você ficou com vontade de conhecer esse destino, dá uma olhada nesse post, com o roteiro que fizemos por lá e com dicas práticas para conhecer Ibitipoca.

A trilha da parte de baixo da Janela do Céu

O distrito e o Parque de Conceição do Ibitipoca:

Localizado no município de Lima Duarte, interior de Minas Gerais, Ibitipoca é um local pequeno e que faz parte do circuito das águas do estado. Suas águas cor de ouro são resultado da decomposição de matéria orgânica e tem um resultado visual realmente impressionante.

Com uma população na casa dos 1.500 habitantes, o local é o terceiro povoado mais antigo de Minas Gerais (1962, mais antiga que Ouro Preto), e em meados dos anos 1.700 chegou a ter por volta de 7.000 habitantes, que estavam atrás da extração de ouro em pó.

A Reserva Estadual foi criada em 1964 e transformada em Parque Estadual em 1973. Com seus 1488 hectares, é um dos menores parques do Brasil, mas mesmo assim, é um dos mais visitados – mais do que o Parque da Serra da Canastra – arrecadando mais de R$ 1 milhão por ano, valor esse que é direcionado para o Estado e ajuda a manter outros parques.

Nosso roteiro de 4 dias:

Existem várias trilhas e cachoeiras no Parque Estadual do Ibitipoca, com diferentes níveis de dificuldade e distância. Aqui, o nosso roteiro feito durante os 4 dias em que estivemos por lá:

1° Dia: Janela do Céu – Parte de Cima

O primeiro local que decidimos visitar é o mais conhecido do parque, a Janela do Céu, que é a parte de cima de uma cachoeira, que tem uma vista incrível, de onde se pode ver uma paisagem deslumbrante do alto.

Para chegar até lá existem duas opções de trilha: a que passa pelo Pico do Pião e a que passa pela Gruta da Cruz, Lombada, Gruta dos Três Arcos e Gruta dos Moreiras. Como eu tinha ouvido dizer que a que passava pelo Pico do Pião era muito pesada e difícil, fomos pela trilha das grutas. Mesmo para nós que somos acostumados a fazer trilhas, percorrer os 16km do percurso (ida e volta) foi super cansativo. Uma amiga foi em outro dia pela trilha do Pico do Pião e disse que foi muito mais tranquilo, não pelo caminho ser mais fácil, mas porque ela foi parando em várias quedas d’água, descansando e se refrescando. Já nós não tivemos essa sorte, fomos com o solzão na cabeça e sem nenhum refresco.

Chegando na Janela do Céu, um choque para mim: estava super cheio, por conta da época de final de ano. O lugar é muito lindo, mas perde muito da magia estando tão cheio de gente. Fiquei imaginando como deve ser ir até lá fora de temporada… Deve ser realmente incrível!

Mas nós tivemos nossa recompensa: fomos nadando para as quedas d’água que ficam mais “escondidas”, no lado oposto ao da Janela do Céu. Por ter que entrar na água, que é um pouco fria, não são todos que vão para essa “parte de trás”. Lá, com praticamente ninguém além de nós,  encontramos um lugar lindo, que nos deu aquela sensação de recompensa por termos ido até lá.

2° Dia: Janela do Céu – Parte de Baixo

A parte de baixo da Janela do Céu é composta de algumas quedas, que ficam em uma fazenda particular, fora do parque. Não contratamos nenhuma agência de turismo para fazer esse passeio, fomos com alguém que conhecia a região, mas mesmo assim tivemos que dar umas perguntadas pelo caminho.

Após deixarmos o carro no local indicado pelas placas, seguimos por uma trilha não muio longa, e com um grau de dificuldade baixo, até chegar na primeira queda.  Olha, vou dizer que para mim, a parte de baixo foi incrivelmente mais bacana do que a parte de cima da Janela do Céu, queria ter tido mais um dia de viagem, para poder voltar lá! Outro ponto positivo: não tinha mais ninguém lá além de nós: o paraíso era só nosso!

A entrada na fazenda custava por volta de R$20,00, e para fazer esse passeio o ideal é ter um carro 4 x 4, ou algum modelo que seja mais alto, porque o caminho para chegar até lá tem aquela dificuldade de uma estrada de terra com mil buracos de brinde, sabe? O caminho também tem algumas placas de sinalização mas, mesmo assim, algumas paradas para perguntar que caminho seguir são necessárias.

3° Dia: Roteiro das Águas

Nós fizemos esse tour com um guia, o Rodrigo, que além de nos levar pelas trilhas, foi nos dando várias informações legais sobre o parque e sobre a região.

Nesse roteiro passamos pela Prainha, a cachoeira mais próxima do centro de visitantes, ideal para quem não quer ou não pode andar muito, pela Ponte de Pedra, o Lago dos Espelhos, Cachoeira dos Macacos, Lago das Miragens, Praia das Elfas e Lago Negro. Apesar de parecer muita coisa, como vamos parando e entrando nas cachoeiras, esse é um roteiro que acaba não sendo tão cansativo.

4° Dia: Lago das Miragens

No nosso último dia em Ibitipoca, exaustos depois de tantas trilhas, decidimos ficar na cachoeira que mais gostamos e que não era tão distante, o Lago das Miragens.

O que achei legal na trilha do Circuito das Águas foi conhecer todas as cachoeiras e poder escolher a que mais gostei para voltar. Todas as cachoeiras do parque são lindas por algum motivo, mas o Lago das Miragens, com seu escorregador de pedras, foi a minha escolha. Poderia ficar lá uns 3 dias seguidos!

Cachoeira na trilha da parte de baixo da Janela do Céu

Comes & Bebes:

Ibitipoca não é um lugar com opções baratas para comer, por conta da dificuldade dos produtos chegarem até lá. Reserve por volta de R$30,00 por refeição – isso se você quiser comer comida mesmo. Outro ponto é que meus amigos vegetarianos tiveram uma certa dificuldade em achar opções. Então se você também é vegetariano, vá preparado para fazer uma pequena busca a cada refeição.

O lugar mais bacana onde comemos por lá e que eu indicaria foi o restaurante Cantinho da Tailândia, que tem um ambiente charmoso e uma comida bem gostosa.

Também gostei do nhoque do Nhoq_Tipoca, que fica bem em frente ao Cantinho da Tailândia, e tem um nhoque simples, mas com o diferencial de ser feito na hora. Assim como o tailandês, é uma das poucas opções que encontramos para os vegetarianos.

Um dos pratos do Cantinho da Tailândia

A noite em Ibitipoca:

Na vila de Ibitipoca, além dos restaurantes, que abrem na sua maioria para o jantar, você vai encontrar uma pequena galeria de bares, galeria essa que o pessoal chama de “shopping”, onde acontecem shows ao vivo. Nos bares ao redor também acontecem shows super animados de forró, além de lugares que vendem cerveja artesanal.

Uma das casas da vila de Ibitipoca

Onde se Hospedar:

Assim que comecei a pesquisar sobre Ibitipoca, vi que apareceram algumas opções de hospedagem em Lima Duarte. Quando olhamos no mapa, a distância não parece grande, mas acredite, é sim. São 25 km e, fora essa distância, a maior parte desse caminho é feito em estrada de terra, e que estava nas piores condições possíveis durante a nossa visita – até tivemos um pneu furado.

Ou seja: mesmo que a hospedagem esteja bem mais barata em Lima Duarte, não acho que compense a distância enorme até o Parque Estadual do Ibitipoca.

Nós ficamos na Hospedaria Casa Real, um lugar todo gracinha, onde fomos super bem recebidos, e que ficava bem na entrada da vila.

A Hospedaria Casa Real

Para quem é indicado:

Esse é um destino para quem gosta não só de natureza, mas de esportes também, já que as trilhas para as cachoeiras não são leves. Se for com crianças ou com pessoas que não estão acostumadas à exercícios, a melhor opção é entrar com o carro dentro do parque, para que as crianças não andem muito. Se estacionar o carro do lado de fora do parque, a caminhada será longa (entrada até o parque + caminho até o Centro de Visitantes + trilha até uma das cachoeiras), e as crianças podem não aguentar.

Mais uma coisa: se você é do tipo que gosta de luxo & glamour & sedução, esse não é um destino que recomendo. Aqui, toda a cidade e suas instalações são simples, para quem gosta do charme mais rústico, próprios das pequenas cidades do interior de Minas.

A charmosa igreja do centro da vila

A estrutura do Parque:

  • Estacionamento: Você pode estacionar dentro do parque ou deixar o carro do lado de fora. Dentro do parque só é permitida a entrada de uma certa quantidade de carros por dia. Caso decida estacionar fora do parque, a distância entre a portaria e a área de visitantes é de 1 km.
  • O número de ingressos é limitado por dia, então chegue cedo, principalmente em feriados, quando o parque fica bem cheio. Esses ingressos são vendidos somente na portaria do parque e para o dia em questão, não são feitas vendas antecipadas.
  • Existem uma área de camping no parque, mas que também não pode ser reservada com antecedência, e tem quantidade limitada.
  • A única lanchonete disponível no parque não tem muitas opções para comer, basicamente salgados fritos e em pacote, e só aceita dinheiro em espécie. Caso não goste muito dessas opções, leve na sua mochila algumas coisas para comer depois das trilhas. Acredite, você vai sentir fome!

Dicas Gerais:

A pequena estrutura de turismo existente hoje no distrito só começou a ser desenvolvida na década de 90 e, como eu disse antes, é pequena e precária em alguns aspectos. Para você estar preparado, não se esqueça de:

  • Leve dinheiro em espécie: Na cidade não há caixas eletrônicos e não são todos os lugares que aceitam débito. Para se ter ideia, precisamos sacar dinheiro e fomos até a cidade de Lima Duarte, assim que voltamos das cachoeiras. Chegamos por volta das 20h na cidade e adivinha? O meu banco não tinha caixa eletrônicos pela cidade, somente a agência, que estava fora do horário de funcionamento. Pois é, leve dinheiro!
  • Leve calçados bem confortáveis: O centro da cidade é cheio de ladeiras feitas de pedras, difícil para andar até de chinelo.
  • Leva um casaquinho meu filho: É para ser bem conselho de vó mesmo. Fui em pleno verão, estava derretendo aqui em São Paulo e mal consegui pegar uma legging se quer para levar, porque já começava a passar mal só de pensar em vestir uma calça. Levar uma jaquetinha, mesmo que leve então, nem pensar. Resultado? Tive que pegar roupa emprestada porque de noite, no meio da vegetação da cidade, a temperatura cai bastante. Nada absurdo, mas dá para passar um friozinho legal.
  • A estrada: Como falei antes, de Lima Duarte até Ibitipoca você vai pegar um estrada longa, toda de terra e muito mal cuidada, com muitos buracos e valas profundas (acho que o dinheiro que o parque arrecada poderia ser usado aí né? Seria legal, interessante, bem bacana mesmo). Em algumas partes dessa estrada, que além de tudo isso, tinham subidas mais pesadas, tive a certeza absoluta de que, se fosse eu dirigindo, nós não chegaríamos. Então vá preparado e cuidado para não ter pneus furados, como aconteceu com a gente!
  • Atenção com o combustível: Nós saímos de São Paulo e, passando Porto Real (RJ), o próximo posto de gasolina estava a uns 80 / 90 km de distância, em Bom Jardim de Minas (MG). Então vale dar uma olhada no mapa, dependendo da rota que você for fazer, para ter certeza de que não vai ficar sem combustível no meio do caminho, já que você pode ficar longos trechos sem ver um posto de gasolina.
  • Além do Parque: Existem alguns passeios feitos com jipes, por rotas fora do parque, e outros passeios para andar de caiaque e bote, feitos por agências de turismo da cidade.
  • Eventos: Para quem gosta de Jazz, no mês de julho acontece um festival na cidade, então além de muita natureza, você pode aproveitar as atrações musicais.
  • Água: A cidade é bem pequena e, como falei, a infra estrutura é precária. Faltar água é algo comum em períodos em que a vila está com muitos turistas, então, economize!

A vista da Janela do Céu

Parque Conceição do Ibitipoca

De Terça a Domingo, das 7h às 18h (quando as segundas caírem em feriados, o parque abre e fica fechado no próximo dia útil)

Tel: (32) 3281 – 1101

E-mail: peibitipoca@meioambiente.mg.gov.br

Ingressos: R$ 10,00 (dias úteis) e R$ 20,00 (sáb, dom e feriados) – Com meia entrada para maiores de 60 anos e estudantes

Estacionamento: R$20,00 para automóveis e R$ 15,00 para motos

Camping: R$ 40,00 a diária

Não é permitida a entrada de animais de estimação e só é aceito dinheiro em espécie.

 

Guia Turístico

Rodrigo Paranhos (Minhoca)

Tel: (32) 8406-7986

PS: Segundo nos disseram, existem algumas trilhas dentro do parque que só podem ser feitas com guias. Nós não fizemos nenhuma dessas trilhas, mas caso você queira fazer uma delas, é só dar uma perguntada para o seu guia.

Todas as fotos lindas desse post são do Ricardo Jayme.

Autor

Juliana Rosa é apaixonada por viagens, esportes, arte, música e criatividade em geral e conta aqui no blog um pouco das suas andanças.

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